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...... é o processo
Valéria Menezes e/ou Valéria Scornaienchi.                                        

La vasta noche no es ahora otra cosa que una fragancia. Jorge Luis Borges


Valeria Menezes traz de seus sonhos uma nova forma de representar, inventa sua própria língua/linguagem/discurso/processo. Uma língua de algum modo estrangeira como colocou Proust.  Nesses sonhos, onde o silêncio também é cúmplice, mesmo que no inconsciente de todos há um desejo imenso por conflito. E esses conflitos na artista expandem-se na energia em suas obras. Essa energia de seus sonhos aparece em concomitante relação às energias intermediárias do antes e o depois, um processo. Como um caleidoscópio que desenha e redesenha as composições configuradas em conexões reflexivas, materializadas em cartografias constantemente reinventadas e inacabadas. A pluralidade de suportes, modalidades, sintaxe interna dos processos executados e os dispositivos resultantes esclarecem essas conexões adirecionais e atemporais, evidenciada também e como parte intrínseca dos recursos estéticos de Menezes nos títulos das obras e séries: CAMINHO, ENTRE ABERTO, NEM SEMPRE SILÊNCIO, NUNCA  MAIS,... Os pecúlios investigativos da artista encanastram sequências abertas e locupletas na pesquisa e consequentemente nos influxos estéticos “que se entrelaçam, na aura, a onipotência do olhar e a de uma memória que se percorre como quem se percorre, como quem se perde numa “floresta de símbolos”. Como negar, com efeito, que é todo o tesouro do simbólico – sua arborescência estrutural, sua historicidade complexa sempre relembrada, sempre transformada – que nos olha em cada forma visível investida desse poder de levantar os olhos?

Ao compor suas composições musicais, a artista, manipula as referências textuais para elaborar uma escrita própria; semântica e gramaticalmente particulares, com aquela intermitência entre frames [de Didi-Huberman]. Musicas que calcorreiam os caminhos complexos dos processos de criação visual que eficientemente a artista delineia em trajetos progressivos arquitetados aos diversos e possíveis agentes evocados e instilados.

Assim Menezes na formulação e realização de seus manifestos estéticos estabelece-se diligentemente como “[...]toda obra é uma viagem, um trajeto, mas que só percorre tal ou qual caminho exterior em virtude dos caminhos e trajetórias interiores que a compõem, que constituem sua paisagem ou seu concerto”.  Revelam-se assim, processos que germinam também da literatura e da filosofia, acarando o caos e elaborando conceitos conscientes, sem renunciar ao infinito, sem referencias peremptórias, sobejando funções ou mais ainda sensações, sem serem nenhuma delas protagonistas, e si em plenas relações processuais.

Encontros com Alice, 2015. Aquarela, gouache, recortes de revista e de livros antigos, renda de papel, impressão adesiva e papel. 76x56cm, Coleção da artista
 

São as fragrâncias resultantes dos processos da artista compostas pelos rastros escuros do voo dos corvos, pelas sombras das luzes, pelos demônios dos sonhos, dos mistérios e sortes, a infinidade imensurável das cores e proporções elucidadas (das palavras ditas ou evocadas) que exalam numa escrita multimodo as grafias de NUNCA MAIS3 e de Perímetro Urbano. A primeira como aparelhagem visual para a exposição Nunca Mais, de 20/11/2016 a 19/12/2016, na Galeria de Arte da UNICAMP, e Perímetro Urbano, resultado de uma amalgama de procedimentos e recursos para explorar a imagem como via de comunicação, da cidade expandida à expansão revertida [e como ingrediente dela] para a própria cidade, doada à coleção do Museu Universitário de Arte, MUnA, da Universidade Federal de Uberlândia –UFU – pelas comemorações dos 20 anos do museu mineiro.

Andrés I. M. Hernández
Curador.

 

...it is a process.
Valéria Menezes and/or Valéria Scornaienchi

"La vasta noche no es agora otra cosa que una fragrance" The enormous night is now nothing more than a fragrance. Jorge Luiz Borges


Valeria Menezes brings from her dreams a new form of representation, creates her own tongue/language/discourse/process. A language as a foreign language to quote Proust. In these dreams, when silence is also accomplice, even though in everybody's unconscious there is an immense desire for conflicts. And these conflicts, for the artist, expande as energy in her works. This energy in her dreams appears at the same time in associate relation between the energies of before and after, a process. Such as a kaleidoscope that draws and redraws compositions configured in reflexive connections, materialized from reinvented and unfinished cartography. The plurality of supports, modalities, internal syntax of executed process and resulting devices, clarify these non directional and timeless connections, evidenced also and as an intrinsic part of the aesthetic features of Menezes in the titles of the works: PATH, AJAR, NOT ALWAYS SILENCE, NEVER MORE… The artists investigative annuities  weave open sequences and indulge themselves in research and consequently in the aesthetic inflow wich “intertwine the aura omnipotence of the gaze and of a memory that wanders like one who wanders  as if lost in a forest of symbols. How can one actually deny that this is the whole treasure of the symbolic – its structural arboretum, its complex historicity  always remembered, always transformed – that stares at us in each  visible form vested of the power to raise our eyes? 1

While writing her musical compositions, the artist manipulates   textual references to draft her own writing, her own grammar and semantics, with that flicker between frames (Didi-Huberman). Songs that roam the complex roads of visual creative processes that the artist efficiently delineates in progressive pathways architected to the various and possible evoked and instilled agents. So Menezes, in the formulation and realization of her aesthetic manifestos is established diligently “as every work is a journey, a pathway, but it only roams this or that outer paths due to the interior trajectories and pathways that compose it, which constitute its landscape or its concert." Thus are revealed processes germinating not only from literature but also from philosophy, facing chaos and elaborating conscious concepts, not renouncing to infinity, with no peremptory references, abounding with functions or moreover with sensations, none of them being protagonists and themselves in a full procedural relation.

They are fragrances resulting from the artist’s process composed of dark traces of the flights of crows, the shadows of light, the demons of dreams, mysteries and fortune, the immeasurable multitude of colors and elucidated proportions (of the said or mentioned words) that exude a multimode writing, the spelling of NEVERMORE and URBAN PERIMETER. The first as a visual equipment to Unicamp Art Gallery3 and the latter4, resulting of an amalgam of procedures and resources to explore the image as a means of communication, the expanded city to the reverse expansion [and as an ingredient of it] to the own town; donated to the collection of University Art Museum, MUnA – Federal University of Uberlandia – UFU – for the 20 year celebration of the museum.

Andres Hernández